Software Livre, Inovações, Negócios e comunidade
abril 6th, 2008Software Livre, Inovações, Negócios e comunidade
A um certo tempo que estou querendo escrever sobre SL, mas tempo é o que estou perdendo cada vez mais. Contudo, após a leitura da veja do dia 26 de Março, acho que é hora de colocar as idéias aqui na Nação.
Software Livre é aquele programa (aplicativo) desenvolvido e disponibilizado sobre a licença GPL (Gnu Public License) o que confere ao mesmo algumas responsabilidades ou liberdades:
1. A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito (liberdade nº 0)
2. A liberdade de estudar como o programa funciona e adaptá-lo para as suas necessidades (liberdade nº 1). O acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.
3. A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo (liberdade nº 2).
4. A liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie deles (liberdade nº 3). O acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade. [1]
Um Software Livre tem o seu código-fonte, ou seja, a sua estrutura de funcionamento, aberta para a auditoria de qualquer pessoa. E como não podemos deixar de falar, um SL não significa necessariamente um programa grátis, o cerne da liberdade significa embrenhar-se nas liberdades citadas acima. Você pode usar e alterar um SL, mas não pode esconder o seu feito, pois ele deve continuar publico.
Pensando em empresas e no ambiente de negócios, uma certa mudança tem ocorrido nos últimos anos, como escreve Tim Converse e Joyce Park no PHP a Bíblia: “(…) Portanto, o preço de varejo total de um software não é mais uma medida confiável de sua qualidade, nem do nível de excentricidade do seu usuário.”
Desenvolver SL e propor soluções corporativas com SL é uma forma de garantir que uma empresa esta realmente pagando pelo Software e não apenas adquirindo uma permissão de uso por um certo tempo segundo certas restrições. A final de contas ela recebe o código que é uma parte do que foi pago. Ela, a empresa, poderá utilizar o código para melhorias sem ter que “implorar” ao desenvolvedor por um oportunidade crucial para o seu negocio. Feita a adaptação, basta deixar “Livre” a modificação para que outros possam também utilizar e novamente aperfeiçoar.
Este modelo de negocio não é uma utopia. Em entrevista a revista Veja de 26/03/08, o prêmio Nobel de Economia, Eric Maskin, comenta sobre leis de patentes, inovação e softwares: “(…)a lei confere ao inventor certa garantia de que ninguém vai se apropriar do seu trabalho e ainda faz da atividade criativa um negócio rentável. Essa lógica vale para algumas áreas mais vitais do conhecimento. Para outras, no entanto, ela só atrapalha. No caso da indústria de software, a proteção é inimiga da diversidade e da inovação.”
Quando questionado sobre “Como exatamente” isto ocorre ele responde:
“Os estudos sobre o assunto mostram que a proteção intelectual se provou desastrosa para a indústria de software por uma razão: esse não é propriamente um campo que vive de grandes descobertas, mas sim de uma série de pequenas inovações cujo mérito é justamente aprimorar o que já existe. Para dar vida a uma nova idéia, portanto, o inventor precisa necessariamente ter acesso livre ao que já existe. A imitação é um motor fundamental para a inovação, e as patentes se transformam em óbvios obstáculos(…)”
Em suma, sua empresa poderá herda uma certa de atualizações oriundas da forma de licenciamento GPL e também propiciará inovações para um ambiente constantemente atualizado. Sua empresa não deseja desenvolver? Ela poderá ainda se beneficiará de outra vantagem do SL: a comunidade.
Em palestra ministrada na Linux Park no mês de agosto de 2007, Cezar Taurion, Gerente de Novas Tecnologias da IBM Brasil, comentou que existe uma força muito grande de desenvolvimento na comunidade, que incentivada por empresas, garantem que a mesma não ficará prisioneira de um grande mal que é o do “software descontinuado”.
Veja bem que, existe um eco-sistema amplo envolvendo o SL. Ele começa com o desenvolvimento do aplicativo (com ou sem uma demanda empresarial) e em seguida ganha força da comunidade, composta não somente por desenvolvedores, mas usuários e empresas. Sua curva potencial de funcionalidade e inovação passa a crescer rapidamente com os investimentos de TODOS os envolvidos.
Em observação feita por Taurion, não basta a uma empresa desenvolver um SL e larga-lo em algum repositório da web em busca da tão valiosa inovação. Uma comunidade deve ser desenvolvida com incentivos transparentes e capazes de deixar a mesma a vontade para guiar o aplicativo para além da visão empresarial.
Da parte da comunidade não adianta o exageros de impor o SL, ou mesmo utiliza-lo como complemento a alguma forma ideológica ou política. Um Gnu socialista cubano não representa o verdadeiro SL, que como diz a Free Software Foundation[2] não é vinculado da causas políticas ou religiosas.
Softwares desenvolvidos para longe das comunidades também merecem críticas. Eu defendo que um programa SL deve ser realmente disponibilizado publicamente, fortalecendo a participação de todos na formação de uma comunidade. Liberar apenas para uma empresa na forma de GPL não é garantir que a comunidade participe e colabore com inovações.
Ainda longe de sua adoção em todos os níveis e locais, o Software Livre também é mais do que uma forma de desenvolver é um modelo novo de negocio para empresas, um vinculo moderno de inovação para a tecnologia mundial. Não se deve perder em discussões vazias ou receadas de criticas ideológicas imaturas. Sua capacidade de despertar o estudo, a evolução e o compartilhamento valoriza outra força que é da prestação de serviço em conjunto com o software.
O tema ainda é vasto, mas com certeza estará longe de ficar calado nos tempos que estão por vim.
Links de Referência:
1 - http://pt.wikipedia.org/wiki/GNU_General_Public_License
2 - http://pt.wikipedia.org/wiki/Free_Software_Foundation