Amigos ou inimigos? - O Sl/CA e filantropia

Amigos ou inimigos?
O Sl/CA e filantropia

Conversando a pouco (se bem que mais de 6 seis horas) com meu amigo Licio, pensei e formulei boa parte deste texto, numa reflexão sobre o impacto do software livre, do código aberto sobre os idéias de filantropia e comunidade.

Parece estranho, a principio, que eu esteja ponderando sobre tais questões uma vez que existem muitos casos de como o SL/CA possibilita que pessoas de baixa renda ou comunidades de baixa renda tenham acesso ao computador pelo custo baixo dos equipamentos (tanto hardware e SO). Mais do que uma inserção digital, sistemas livres e gratuitos estão disponíveis para o estudo, conforme sua licença, na maioria, GPL.

Mas isto não é o necessário para uma inclusão digital. O treinamento é substancialmente a “alma do negocio” juntamente com a vontade de apreender. Em algumas comunidades trabalhos filantrópicos ajudam também a reduzir os custos com treinamento, ações comunitárias podem reduzir os custos com locação e compra de equipamentos. No final a sensação de muitos por ajudarem a uma real inclusão digital pode ser visível diante de um mundo onde custos, lucros são sempre limitadores.

Existe também a mesma sensação entre a comunidade virtual? Ou, trata-se apenas de boa política? Este foi um dos cernes de minha discussão. Existe uma comunidade capaz de prestar serviços a comunidade em busca de inclusão, sem que fique um duvida sobre quem realmente estamos ajudando?

Ajudando? A quem precisa ou a marca de uma empresa que não esta fazendo nada para ajudar? Ajudando as crianças ou a Novell, Red Hat, Canonical, etc? Alguns amigos chegam a esta reflexão após darem duro em listas de discussão e fóruns. Alguns dizem que a mesma comunidade on line que deseja ajudar, é que mais atrapalha. E como ficamos?

Diante do crescimento do Linux atualmente, das parcerias com a Dell, IBM e etc, estamos perto de questionar a filantropia que durante muito tempo foi fator de conquista de muitos entusiasta, chegando a sermos ameaçados por uma serie de ações que nos coloquem próximos de outros sistemas de ampla aceitação global, mas que a enorme variedade leva também a muita dor de cabeça.

Neste ponto, deixo de levantar as questões para colocar a minha opinião. O ecossistema por trás da filantropia jamais será 100% “livre” das influencias do mercado. Bem como o mesmo mercado econômico nunca será 100% correto, socialmente pensando, se não houver proposta que equilibrem seus pilares.

Radicalismos, tal como governos que vemos constantemente na televisão repudiando os USA, e o capitalismo são utopias que aprendemos, ao longo da historia, estão apenas conduzindo a um governo mais rígido do que as democracias capitalistas. Desejar uma filantropia “compilada” com elementos de ideais 100% honrados também é uma utopia.

Não lancem suas pedras ainda.

O ecossistema que estou descrevendo, tem como base um desenvolvimento de tecnologia que sempre esteve paralelo a empresas e universidades. E ambos precisaram de investimentos e analises de mercado para gerar bases para o conhecimento. O que muda o impacto é a forma com que este ecossistema aceita equilibrar as bases econômicas, o mercado e da responsabilidade social.

Veja o modelo do computador verde. É uma responsabilidade social que não depende de uma analise, é ou não é uma ajuda, é uma questão de futuro e que será verdadeiramente um elemento de qualidade nas empresas. Algumas vão perceber que podem usar o computador verde como destaque para gerar boa propaganda. Com o tempo outras vão perceber que é um tendência, além da responsabilidade, do mercado.
Para mudar o mundo como conhecemos pela filantropia, pela assistencial social, pelos atos de responsabilidade social, devemos propor soluções que sejam contra balanceadas pelo mercado, pelo ecossistema comercial. Em alguns casos deveram ser feitos acordos. Em outros exemplos devem ser dados. Radicalismos apenas colaboram para que ninguém saia do lugar.

No caso do Sl/CA, quando empresas trabalham em disponibilizar o código, existe evolução e mais conhecimento a ser assimilado. Quando empresas apostam que os fatores de venda de serviços é o seu melhor investimento, existe geração se empregos, que desejam aproveitar o conhecimento e não o monopólio sobre o software. Quando empresas utilizam da base já desenvolvida pela comunidade elas estão poupando, pois começar do zero é mais custosos, e em muitos casos investem em quem já esta no projeto.

Deste modelo de negocio, temos a vantagem de que a inclusão digital poderá aproveitar os frutos tecnológicos, como sistemas bem desenvolvidos e com suporte. A comunidade, com qualidades e erros, não estará apenas ajudando uma marca, mas também o conhecimento que não fica parado e fornece segurança, ao mercado sempre em busca.

Devemos ver o modelo com uma visão ampla e reconhecer que lucrar com SL/CA não quer dizer que pessoas estão ficando sem ajuda. Da mesma forma que as empresas que hoje atuam com SL/CA, em sua maioria, retorna os investimentos da comunidade, com fóruns grátis para operação, com melhorias e etc.

Por isto, não deixe de fazer a sua parte sem radicalismos e vislumbre sempre o ecossistema e não somente uma parte dele. Equilíbrio é a chave. E, lembre-se que nenhum sistema é perfeito, pois, afinal de contas somos seres humanos e eles, os sistemas, são frutos nossos.

One Response to “Amigos ou inimigos? - O Sl/CA e filantropia”

  1. Filantropia, Comunidade, Cooperação, Software Livre e Open Source « contra-senso Says:

    [...] e Open Source Setembro 28th, 2007 Atrevo-me aqui a fazer alguns comentários a partir de um post interessantíssimo do Júlio César sobre o impacto e a relação entre o software livre/código aberto e a [...]

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