Paradigmas do Software Livre
Patentes, Microsoft e Linux
Este texto surgiu durante um momento em que eu não estava achando nenhum assunto para postar no nação livre. O título faz referencia a um livro (Paradigmas do Software Aberto de Tércio Pacitti lançado pela LTC) e um pouco do texto abaixo tem fonte na palestra de lançamento do livro em BH no final de 2006.

Meus amigos dizem que eu escrevo muito para um blogger, mas de toda a forma é um assunto que me veio a mente e logo comecei a escrever. A inspiração veio também das ultimas noticias sobre o FUD (fear, uncertainty and doubt) da Microsoft com relação as patentes que o linux viola[1 e 2]. Quem anda lendo o BR-Linux já sabe que alguns manifestaram-se em um wiki pedindo para serem processados o que denota novamente a força da comunidade de usuários, força que não se tem igual em outro segmento.
Talvez você possa achar que é simplesmente uma rebeldia ou um estrondo pequeno diante do estrago que a empresa de Redmond tem feito no mercado de investimentos em TI contra o Linux. Da minha parte eu não vejo apenas rebeldes de um lado e a justiça monopolista de outro. Trata-se na minha opinião, da discussão de um conceito que produziu grandes evoluções no que tange a TI: o padrão aberto e a livre acesso ao conhecimento.
Todos sabemos que um software livre não é apenas aquele com o código aberto, permitindo a sua leitura, mas é aquele que permite conhecermos mais do que foi feito e até mesmo inspirar para que façamos algo. Nos últimos séculos temos vários outros exemplos semelhante. Pense sobre a matemática e como seria se ela fosse fechada, de domino de uma única entidade. Qual seria o preço das revoluções científicas possibilitadas por ela?
Vou além um pouco, voltando a falar da matemática, e proponho que pensemos sobre o mundo que podemos conhecer hoje através da matemática e um outro mundo onde esta possibilidade seria simplesmente trocada por um universo escondido pelo copyrighter , teríamos a desculpa de que seria um mundo simples e acessível a todos, independente de escolaridade. Deixe os estudo de lado e use a nossa facilidade pré-configurada.
Espalhe esta idéia aos poucos. Todo o conhecimento que hoje podemos adquirir e usar em conjunto com a nossa criatividade para gerar negócios, revoluções, evoluções e cultura simplesmente monopolizado para que você tenha o melhor do que o mercado e suas regras de renovação podem determinar. Não é um parágrafo contra o capitalismo, pois posso crescer se souber usar bem o conhecimento livre, mas contra o autoritarismo ditatorial de dizerem o que é certo de um único ponto de vista.
Veja o exemplo de Von Neumman, (...) considerado pai do computador moderno, consolidando as idéias de Turing e seus antecessores(..) (O paradigmas do Software Aberto, pg 07) que lutou contra a patente da nova conquista tecnológica e a tornou domínio público. Cito um outro pedaço do livro para reflexão: “O Software Livre traz no bojo (..) preocupação: como ordenar o desenvolvimento futuro do software para que este seja desimpedido, garantido, produtivo e ao mesmo tempo justo e lucrativo, onde cada programador ou participante tenha o seu reconhecimento, seja este financeiro, acadêmico ou de realização profissional.”
As idéias por trás do Linux são bem simples e o potencial que ele hoje alcançar é uma forma de mostrar que nos, usuários não compramos um software de caixinha nas lojas, nos o estamos alugando, para usa-lo de olhos parcialmente fechados e que o conhecimento que pode ser desenvolvido e aplicado é limitado aos desejos de quem o controla.
A população esta sendo domestica para encarar o computador como um aparelho a mais, sepultando as possibilidades de criar novos conhecimentos, como é feito com a matemática, a ciência e todo o conhecimento que hoje é livre. A própria concorrência no mercado é uma forma de especializar e trazer lucros para o consumidor e para o desenvolvimento de tecnologias.
Não desejo que os funcionários da Microsoft sejam mandados embora de uma dia para outro pro causa do Linux. O que desejo é que ela esteja pronta para aceitar sem mentiras e ignorância que existe um novo modelo de negócio que pode se adaptar como já fizeram a IBM, HP e outras empresas. E elas estão conseguindo lucros.
Talvez a incapacidade e o medo interno de Redmond precisem se espalhar na sua forma de extrair as próprias dores e angustias. Ou permitam-me citar outro autor chamado E. Augier: “Sofre-se mais vezes com a morte de uma ilusão do que com a perda de uma realidade”.
Obs: Não é necessário ser programador para interagir com a comunidade do software Livre, bem como não precisamos da matemática avançada para mudar o mundo. Ter acesso ao conhecimento nos torna seres humanos capazes de agir em um mundo de muitas “variáveis”.
Links:
1 - Noticia 1
2 - Noticia 2