10º FISL - Uma resenha pessoal

junho 30th, 2009

Terminou a maratona do 10º FISL, especial pela edição (com direito a 8000 pessoas e o presidente Lula) quanto por ser o meu primeiro. A expectativa era muito e hoje ao escrever estas palavras posso dizer que a mesma foi alcançada com boas notas. No geral 8 em 10 para todo o evento.

Eu também não tinha ido a Porto Alegre antes e mesmo ficando em um Hotel mais central como o Duque, tive sorte de ter a disposição um ônibus de fácil acesso, a cerca de um quarteirão do Hotel, que passava de 06 em 06 minutos, com conforto interno de um micro ônibus. Como fiquei todos os dias do Hotel para o Evento e do Evento para o Hotel, tudo correu muito bem, sem stress com transito e gastando em media 20 min para chegar a PUC.

O local apesar das criticas me pareceu bastante confortável, com boas salas e estrutura, além de uma organização afiada com o tempo e as adaptações dos palestrantes. Algumas salas distantes nos blocos externos ao principal mereciam uma melhor identificação do local. Mas nada grave. Não deixei então de consumir o maior número de palestras possíveis equilibrando as técnicas com as não técnicas.

Merecem na minha opinião o destaque para:

Monitorando ambientes utilizando Software Livre - por Edmilson de Novais Silva

(P) Davi ou Golias? Vencendo no mercado disputando de igual para igual com os gigantes -

Como ingressar no mercado usando software livre - por Ricardo Bimbo

Copyright vs Community - por Richard M. Stallman

Testes de Aceitação em Python com Pyccuracy - por Bernardo Heynemann Nascentes da Silva, Gabriel Falcão , Guilherme Chapiewski

Capitalismo cognitivo, teoria dos jogos e software livre. - por Javier Bustamante Doas

O Projeto GNOME: Evolução e Participação - por Jonh Wendell, Gustavo Noronha e Júlio Cesar

Software livre, cultura hacker e o ecossistema da colaboração - por Sergio Amadeu, Anderson F. de Alencar, Murilo B. Machado, Rafael Evangelista e Vicente Aguiar

Qualidade em Empresas de TIC baseadas em Software Livre ou OpenSource - por Douglas Conrad

WebKitGTK+ - o que é e como usar - POR Kov

E a Liberdade?

Dentre tudo mais que foi possível acompanhar, o espirito do evento com certeza esteve focado na liberdade e como o compartilhamento é essencial no novo modelo econômico da Sociedade da Informação e os impactos reais de usar um sistema livre, como o kernel Linux Libre.

Eu mesmo passei alguns dias pensando nestas questões e como colocar o que foi visto em prática, pois eu acredito que ir a um FISL esta além de simplesmente desfilar pelo evento ou rever amigos. É claro que trocar idéias e conhecer pessoas é algo importante e faz parte do todo.

Liberdade é algo que precisa de contexto. E deve-se ter cuidado com o anarquismo. Liberdade deve ser discutida e praticada com certas ressalvas, principalmente porque nossa liberdade individual não pode fugir do discernimento e da responsabilidade com o outro. Não é difícil falar em bom senso neste caso antes de tudo.

Junto com a liberdade não se pode deixar de pensar que a informação compartilhada é realidade no novo cenário, é necessário ao usuário, ao CEO e a empresa perceberem que existe poder na informação e que ela deve fluir em um novo sistema de valor, diferente do valor do objeto perecível a informação e o conhecimento são frutos de compartilhamento e troca de resultados.

Um terceiro impacto pode ser sentido ao vislumbramos que o Software Livre esta inserido nesta vanguarda de novos elementos. Sua essência o coloca mais próximos do compartilhamento e do valor em comunidade. É um mercado que não encontrar concorrente real, uma vez que o software proprietário e fechado tenta fazer com o modelo de desenvolvimento de software seja o mesmo da fabricação e comercialização de pneus.

O software não é como ouro, criado e estabelecido como tal diante da economia. É como um alface de uma horta que se não for cuidado perderá o seu valor com o tempo. O tempo em vez de crescer o valor de um software, pode sepultar o mesmo.

Assim como o conhecimento, o software tem valor pelo número de usuários, desenvolvedores e inovações constantes. Inovação vem do compartilhamento de idéias, da discussão das possibilidades em grupo e não de mentes fechadas e isoladas. O isolamento pode matar uma idéia e um software.

Da mesma forma que a FSF bem representada por Oliva e Stallman alertou para as restrições do mercado. Para a necessidade de novos modelos de negócios diante desta realidade de valores e informação. Os dois pontos chaves que percebi é a liberdade de compartilhar e a questão do kernel Linux ter suas partes podres que fazem com que certos componentes não livres sejam usados.

Contudo eu tenho ainda meus receios de gritar pelo radicalismo destas idéias. Não podemos acreditar que o modelo atual esta preparado para abraçar o free compartilhamento. Assim como também não podemos ficar acomodados vivendo no meio da discussão baixando nossos vídeos piratas e sendo transgressores preguiçosos. Acredito que a comunidade deve ser alertada e o que começou no meio da computação (o Software Livre) deve agora ganhar contornos reais diante da Sociedade da Informação e do valor do compartilhamento para o futuro das organizações. Todos devem adentrar novos debates.

Da mesma forma que adotar o Kernel livre das armadilhas que diminuem nossa liberdade, deve passar por cada vez mais troca de experiências, indicações de fornecedores de tecnologias cujo hardware comporte bem as distribuições com o kernel libre. Não somente a liberdade deve ser alcançada como o equilibro entre os desejos em prol da mesma, e quando falo em desejos em falo dos fabricantes e dos que não desejam abandonar suas distribuições de coração para abraçar o kernel da liberdade.

E agora?

Existe outros temas que me chamaram a atenção como a necessidade da prestação de serviços em Software Livre ter sua qualidade para que não somente o software seja reconhecido como também o serviços.
Uma empresa de Software Livre deve lidar com um tipo diferente de profissional, o que adota a comunidade como membro do processo de prestação de serviços. Este profissional é proativo, é responsável mais exige certas flexibilidades e deve poder colaborar com as comunidades em geral.

O futuro?

Minhas idéias em fazem questionar se da esma forma que estamos diante da sustentabilidade, da TI verdade, já seria o momento de propor as empresas o modelo e a filosofia do Software Livre dentro da responsabilidade que eles possuem com a nova sociedade da informação.

Iniciar discussões e verificar como os cases de sucesso atuais podem demonstrar que antigos conceitos devem ser revistos e que elementos como a Teoria dos Jogos (na escolha do melhor e da mais egoísta) e a própria cauda longa (diversos gerando receitas onde antes era para pouca variedade) são fatores que demonstram que existe mudanças aparecendo.

Acredito que vou usar este texto de base para escrever aos poucos aprofundando.

Isto também demonstra o quanto foi importante ter acesso a informação, ao conhecimento, sem estes compartilhamento, estaríamos cada vez mais achando que a revolução industrial continua e que o real potência do intelecto é apenas metáfora.

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